Pe. Aldo Fernandes
Pontifícia Universidade Católica – PUC – Rio de Janeiro
Em sua mensagem para o Dia Mundial das
Missões, o Papa Francisco se expressava assim: “A fé é um dom precioso
de Deus, o qual abre a nossa mente para que possamos conhecê-Lo e
amá-Lo”[1].
Com estas palavras, o Papa iniciou rico aprofundamento sobre o tema da
Missão para este Mês de Outubro, no qual se conclui o Ano da Fé[2].
A Igreja assume a missão própria de
Jesus e a ela dá continuidade ao longo da história. Ela continua
atendendo ao mandato de Jesus, que ordenou aos Discípulos: “Ide pelo
mundo inteiro, e fazei discípulos meus entre todos os povos,
batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a
observar tudo o que vos ordenei. Eis que estarei convosco todos os
dias, até o fim do mundo”[3].
O Concílio Vaticano II diz que a Igreja é, por natureza, missionária[4].
Existe para a Missão. O Documento de Aparecida diz que a alegria do
discípulo missionário é ter encontrado Jesus, anunciá-lo com palavras e
obras, e torná-lo conhecido![5]
A cada ano, no mês de outubro, a Igreja
no Brasil nos anima a assumir com fervor ainda maior a missão: anunciar o
Evangelho do Senhor, testemunhá-lo com nossa vida na caridade e
celebrá-lo na Sagrada Liturgia.
A Missão é cotidiana e deve ser vivida
na alegria, na dor ou na esperança de cada dia. Tem destinatário
imediato: o próximo, as pessoas com quem convivemos. É personalizada:
tem as marcas do caráter de cada um de nós ou do carisma do grupo a que
pertencemos na Igreja. Adequa-se às condições do ambiente e das pessoas
que esperam pela luz da Palavra de Cristo. É variada em sua expressão: a
vida é missão, com todos os seus desafios, ambientes, favores,
conflitos, esperanças, alegrias, festas, oração, bênção, caridade,
sofrimento e até a morte tem lugar na missão!
A Missão nos faz filhos da Igreja: dela
recebemos o ordenamento, na obediência da Fé, na luz em que ela nos
permite ver, conhecer e amar a Deus, sobre todas as coisas, e ao próximo
como nos amamos a nós mesmos e aos que nos são mais caros. Portanto,
Missão exige planejamento pessoal e grupal, sob a coordenação de uma
Pessoa referencial da Comunidade eclesial, a fim de que a ação
missionária tenha preparação, princípio, meio e avaliação final. Na
unidade da e com a Igreja, Jesus garantiu sua presença: “Onde dois ou mais estiverem reunidos no meu nome, eu estarei aí no meio deles”[6].
A Missão nasce da oração. Na procura e
no encontro com o rosto do Senhor, que nos faz conhecê-lo e amá-lo,
Jesus vai nos iluminando pelo dom da Fé, que nos é dado pelo Espírito,
para o bem da Igreja, e nós vamos entendendo sempre mais claramente o
que Deus quer de nós. Rezar, então, é vital para a missão ser bem
sucedida. Missionários e Missionárias são sempre vistos em oração,
especialmente na Eucaristia, no Rosário, na Adoração, na Confissão dos
seus pecados. A Missão é estímulo para a conversão e a perseverança na
Fé.
Obra da Trindade em nós, na Missão, Deus
Pai nos faz conhecer a Si através do Evangelho do Seu Filho. Este, com o
anúncio do Reino de Deus, e pelo supremo testemunho da oferta de Sua
Vida na Paixão, Morte e Ressurreição, nos comunica a Graça Divina. Ele
nos comunica seu Espírito Santo, que nunca nos abandona, e nos faz
sentir a força de viver, lutar, sofrer e vencer pela Fé no poder de
Deus. Tudo isso, o Senhor nos dá na Eucaristia. Por isso, Missionário/a
vive da Eucaristia, e faz todo esforço para não perdê-la!
A Missão pede maturidade e compromisso:
não basta o entusiasmo eufórico do início! Fé é comprometer-se com a
Igreja: ser dizimista, catequista, cantor, leitor, zelador, membro de
grupo de oração, de visitação, de assistência social, de estudo de grupo
bíblico, enfim, dos mais variados ministérios que temos em nossa
Comunidade. Até nossos bons pensamentos, nossas dores e pequenos ou
grandes sacrifícios cooperam decisivamente para o bem da Missão da
Igreja.
A missão é para fazer discípulos!
Portanto, como fez na JMJ, em julho, no Rio de Janeiro, o Papa Francisco
nos convida a “sair rumo às periferias”, onde encontraremos alguém que
nos espera e necessita de nós e de nossa ajuda, de nossa
espiritualidade, palavra, oração ou compreensão silenciosa e operativa.
Nosso “Bote Fé” não pode parar! Missão é “botar fé”, é viver de Fé!
Por fim, a Missão tem destino social e
aponta para o Reino de Deus: é o mundo, com suas estruturas, que precisa
melhorar! Isso exige mudança de mentalidade e de atitudes. Aquela “nova
cidade”, aqueles “novos céus e nova terra”, de que fala o Apocalipse[7]
dependem de nós, e poderemos fazer do nosso mundo uma imagem antecipada
do mundo novo, onde Deus, glorificado pela vida santa e edificante dos
seus filhos e filhas, “será tudo em todos”[8].
Feliz e fecundo Mês Missionário!
[1] PAPA FRANCISCO. Mensagem para o Dia Mundial das Missões, 1. Vaticano, 19.05.2013.
[3] Mt 28,19-20
[4] CONCÍLIO VATICANO II, Decreto Ad Gentes, 1.
[5] CONSELHO EPISCOPAL LATINOAMERICANO, V Conferência do CELAM – Documento de Aparecida, 29.
[6] Mt 18,20
[7] Ap 21,1-2
[8] 1Cor 15,28

























































































